O jornalista e ex-vereador Luiz Paulo Costa morreu na manhã desta quinta-feira (17), aos 83 anos, em Caraguatatuba, onde morava. Segundo a família, ele estava em tratamento em casa por causa do Alzheimer e morreu de causas naturais, por volta das 6h30. Deixa a esposa, dois filhos e netos.
O velório será realizado nesta sexta-feira (18), a partir das 9h, na Câmara Municipal de São José dos Campos. O sepultamento está marcado para as 14h, no Cemitério Municipal da cidade.
Nascido em São José dos Campos, Costa começou a carreira no jornalismo em 1965, na Rádio Piratininga. Depois, foi redator do jornal ValeParaibano, trabalhou na Rádio Clube e atuou como correspondente de O Estado de S. Paulo no município. Em 1976, foi eleito vereador e permaneceu na Câmara Municipal por cerca de duas décadas.
Ele também ocupava a Cadeira 4 da Academia Joseense de Letras, que tem como patrono Francisco Pereira da Silva, o Chico Triste.
Luiz Paulo Costa foi Preso e torturado durante a ditadura militar
Quando trabalhava no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Costa foi preso por agentes do DOI-CODI sob acusação de ligação com estudantes que tentavam reorganizar o Partido Comunista em São José dos Campos. Ele tinha 21 anos.
Levado a São Paulo, foi interrogado, encapuzado e torturado. Permaneceu preso por mais de 140 dias em diferentes locais, entre eles a Base Aérea de Santos, o navio-prisão Raul Soares, o Departamento de Ordem Política e Social (DEOPS) e o DOI-CODI, na capital.
Entre as violências sofridas, passou pela chamada cadeira do dragão, instrumento utilizado para aplicar choques elétricos. As agressões deixaram sequelas, entre elas tímpano perfurado, dentes quebrados e lesões na coluna. Após ser libertado, precisou ser internado na Beneficência Portuguesa e, depois, no Hospital das Clínicas para tratar as lesões.
Costa retomou a atividade jornalística em 1976 e, no mesmo ano, foi eleito vereador. Durante o mandato, a Arena tentou cassá-lo, mas não obteve êxito, já que ele não havia perdido os direitos políticos.
Seis livros sobre a cidade e sobre a própria história
Autor de seis livros, Costa dedicou parte da produção literária à história e à cultura de São José dos Campos.
Em 2022, publicou A Cadeira do Dragão — Memórias da Ditadura Militar, em que relatou as prisões políticas e as sessões de tortura a que foi submetido. O título faz referência a um dos instrumentos usados contra presos políticos no período.
Na ocasião do lançamento, ele contou que havia se formado no período democrático entre 1946 e 1964 e que não imaginava que perderia a liberdade. Disse ainda que já havia sido procurado por mais de 30 escritores interessados em sua experiência durante a ditadura e que decidiu registrar a própria história.
Com informações de OVale.
Foto de capa: Reprodução/Redes Sociais
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