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Eleições 2026: Eduardo Cury quer quinto hospital regional para Jacareí e retomada de grandes obras no Vale

O ex-prefeito de São José dos Campos Eduardo Cury é candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, em nova tentativa de retornar à Câmara dos Deputados, que já integrou. Em entrevista ao Diário de São José, Cury apresentou como principais bandeiras a conquista de um quinto hospital regional para o Vale do Paraíba, a retomada de grandes obras de infraestrutura, o combate ao crime organizado e a responsabilidade fiscal. Coordenador do plano de governo da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, ele defende a redução da maioridade penal em casos de crimes violentos.

Engenheiro mecânico nascido em São José dos Campos, Cury conta que sua entrada na vida pública se deu ao lado de Emanuel Fernandes, em um grupo que buscava, segundo ele, inovar na política local — trabalho que resultou na eleição de Fernandes à prefeitura e, na sequência, na própria trajetória de Cury como prefeito e depois deputado federal.

Ao avaliar seus legados, Cury afirma que a atuação como prefeito, ao longo de oito anos, é mais percebida pela população do que a de deputado, pela natureza mais visível das obras municipais. Entre elas, cita a criação do Parque Tecnológico, o Parque Vicentina Aranha e projetos na área de educação. Sobre o mandato parlamentar, argumenta que o resultado do trabalho de um deputado é mais difícil de acompanhar, porque a aprovação de um projeto pode levar anos e depende de convencer a maioria da Câmara.

Como deputado, diz ter pautado o mandato por cinco valores: a defesa da família, das liberdades, do empreendedorismo, da educação e da região. Ele se apresenta como o deputado que mais trouxe recursos para o Vale do Paraíba em sua passagem pela Câmara, afirmando ter atendido todas as cidades da região, com destaque para a área da saúde.

O quinto hospital regional como bandeira

A infraestrutura de saúde é o eixo que Cury apresenta com mais ênfase. Ele reivindica protagonismo na instalação dos hospitais regionais da região: como prefeito, no de São José dos Campos; e, como deputado, nas mobilizações pelos hospitais do Litoral, em Caraguatatuba, e do Vale Histórico, em Cruzeiro. Sua nova bandeira é um quinto hospital regional para Jacareí, que descreve como a terceira maior cidade da região e a única entre as maiores ainda sem a estrutura.

Cury vincula essa pauta a um eventual segundo mandato do governador Tarcísio de Freitas, a quem elogia e cuja reeleição projeta.

No campo da infraestrutura viária e de mobilidade, aponta três grandes projetos que considera necessário liderar: o prolongamento da rodovia Carvalho Pinto em direção ao Vale Histórico, o trem regional que ligaria São Paulo ao Vale do Paraíba — cujo projeto, afirma, está em elaboração pelo governo estadual — e a duplicação do trecho da Rio-Santos em Caraguatatuba.

O papel das emendas parlamentares

Ao tratar de emendas, Cury defende que elas cumprem dois papéis. O primeiro é atender microdemandas apontadas por prefeitos de cidades pequenas e lideranças locais, como a recuperação de uma galeria ou a construção de uma praça. O segundo, que diz priorizar, é liderar grandes projetos regionais — nesse caso, afirma, o papel do deputado é articular, já que o valor da emenda individual não seria suficiente para custeá-los.

Diferentemente de outros candidatos ouvidos pela série, Cury não defende a redução do volume das emendas, e sim seu uso estratégico. Ele afirma que pretende destinar recursos próprios para ajudar prefeituras sem orçamento a instalar câmeras de segurança, dentro do projeto estadual Muralha Paulista.

Crime organizado: retomada de territórios e maioridade penal

Coordenador do programa de governo de Flávio Bolsonaro, cuja divulgação ele situa há cerca de três semanas, Cury afirma que boa parte desse plano tem aderência às prioridades da região. Ele sustenta que o crime organizado só prospera onde há corrupção e leniência do Estado, e atribui ao Partido dos Trabalhadores (PT) a instalação do que chama de corrupção organizada no país.

Sobre as diretrizes do plano, cita a reocupação de áreas urbanas dominadas pelo crime, a criação de uma força especializada no controle de fronteiras, portos e aeroportos, e o endurecimento das leis. Nesse ponto, defende a redução da maioridade penal em casos de crimes violentos, podendo chegar aos 14 anos, com o argumento de que a legislação atual permite ao crime recrutar jovens sabendo que não serão punidos de forma adequada.

A proposta de redução da maioridade tramita no Congresso. Em junho deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por 44 votos a 18, a admissibilidade da PEC 32/2015 e de propostas correlatas, que reduzem a maioridade penal de 18 para 16 anos. A análise da CCJ é apenas o primeiro passo: o texto ainda precisa passar por comissão especial e por dois turnos no Plenário, e depois pelo Senado. As versões em tramitação tratam de 16 anos; a extensão a 14 anos em casos extremos, como propõe o candidato, não corresponde ao texto que avançou na comissão.

No plano regional, Cury defende a conclusão do projeto Muralha Paulista, com câmeras de monitoramento nas entradas e saídas de todas as cidades do Vale e nas rodovias. Cita São José dos Campos, que iniciou seu sistema de câmeras na gestão de Fernandes e hoje opera cerca de mil equipamentos digitais, como exemplo a ser estendido, com apoio de emendas, às cidades sem orçamento para tanto.

Contas públicas e a crítica ao governo federal

Na economia, Cury defende que o governo gaste apenas o que arrecada e critica o que classifica como maquiagem orçamentária dos governos do PT. Ele argumenta que o gasto acima da arrecadação obriga o Estado a tomar dinheiro emprestado, o que retira recursos de circulação, pressiona os juros para cima e encarece o crédito ao cidadão.

Ao dimensionar a dívida, o candidato afirma que ela passou de 71% para cerca de 82% a 83% do PIB. Os dados oficiais confirmam a ordem de grandeza: a dívida bruta do governo geral atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central — o maior patamar desde a pandemia. Cury credita a alta ao atual governo; a atribuição de causa é dele. Para contexto, a taxa Selic está em 14% ao ano desde a reunião do Copom de 5 de agosto.

Ele cita ainda o governo de Jair Bolsonaro, afirmando que este teria encerrado seu último ano com superávit apesar da pandemia e da guerra na Ucrânia.

Posições sobre temas nacionais

No bate-bola realizado pelo Diário de São José, Cury também apresentou posições sobre temas que devem ocupar o próximo Congresso.

Sobre o fim da escala 6×1, defendeu a liberdade total de contratação, com o trabalhador escolhendo a jornada que lhe for conveniente, sem participação do Estado. A PEC 221/19, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem perda salarial, foi aprovada pela Câmara em dois turnos em 27 de maio deste ano, por 461 votos a 19 no segundo turno, e está no Senado.

Sobre a regulamentação da inteligência artificial e das redes sociais, posicionou-se contra fazê-la neste momento. Argumenta que a inteligência artificial é incipiente e que regulá-la agora inibiria a criação, e que, no caso das redes sociais, a legislação atual já basta — o que rejeita é a censura prévia, que atribui a setores da esquerda e a ministros do Supremo Tribunal Federal.

É favorável à redução da maioridade penal para 16 anos, e a 14 em casos extremos. É contra a legalização dos jogos de azar, que classifica como um dano à sociedade, sobretudo à população mais pobre. Sobre privatizações, manifestou apoio geral, com ressalva quanto à Petrobras, que considera um caso complexo. É contrário a mais impostos sobre grandes fortunas, argumentando que a medida penalizaria os mais produtivos e os levaria a transferir sede ou patrimônio para fora do país; defende impostos iguais para todos.

Sobre o sistema eleitoral, declarou-se favorável a algum mecanismo de verificação auditável do voto, como o voto impresso, com o argumento de que parcela expressiva da população tem insegurança quanto ao processo. Vinculou essa desconfiança não apenas às urnas, mas também ao que descreve como limitações impostas a um só lado do espectro político.

Quem é Eduardo Cury

Eduardo Cury é engenheiro mecânico, nascido em São José dos Campos, ex-prefeito do município por oito anos e ex-deputado federal. Nesta eleição, disputa o retorno à Câmara pelo PL e coordena o programa de governo da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Em suas considerações finais, afirmou-se apaixonado pela região e pela vida pública e pediu o voto dos eleitores para seguir atuando.

As Eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.

Foto de capa: Divulgação

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