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Mulher é espancada e ameaçada de morte na frente do filho de 3 anos em São José dos Campos

O dia 12 de outubro, feriado nacional, começou e terminou com violência contra mulheres dentro de casa em São José dos Campos. Na madrugada da segunda-feira, uma mulher foi espancada, arrastada pelos cabelos e ameaçada de morte pelo companheiro, diante do filho do casal, de três anos, no bairro Parque Industrial, na região sul. Horas depois, na Vila Tesouro, na região leste, Tatimara Pereira da Silva, de 33 anos, foi morta a facadas. Os dois casos são investigados pela Polícia Civil, e os dois suspeitos estão presos.

No caso do Parque Industrial, o companheiro da vítima, um homem de 33 anos, foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio, violência psicológica contra a mulher e injúria no contexto de violência doméstica.

Agressões pela casa

Segundo o relato da vítima à polícia, a agressão começou depois de uma discussão. O companheiro, que havia bebido, passou a atacá-la com socos, chutes e empurrões. Imagens de uma câmera de segurança instalada na casa mostram a mulher sendo derrubada no chão, arrastada pelos cabelos e levada à força para diferentes cômodos.

No banheiro, ainda segundo o depoimento, ela foi golpeada contra o box e mordida no nariz. Depois, foi levada até a sacada do terceiro andar do imóvel. A vítima relatou que o companheiro tentou forçá-la a pular e disse que contaria às pessoas que ela havia tirado a própria vida. Segundo o relato, ele afirmou: “Hoje eu vou te matar”.

De acordo com a investigação, a agressão só parou porque o suspeito machucou o próprio braço, passou a reclamar de dor e pediu para ser levado ao pronto-socorro. A mulher aproveitou para pedir ajuda.

Uma vizinha ouvida pela polícia disse ter visto a vítima com ferimentos no rosto, ouvido o homem ameaçar matá-la e jogá-la do terceiro andar e presenciado a cena em que ele a puxava pelos cabelos para dentro de casa. Policiais militares encontraram a mulher com várias lesões no rosto e no corpo quando ela chegou ao hospital.

O suspeito foi preso no próprio hospital, onde recebia atendimento. No depoimento, ficou em silêncio. A delegada responsável ratificou a prisão em flagrante e pediu à Justiça a conversão para prisão preventiva.

A defesa do suspeito não foi localizada para comentar.

Uma criança como testemunha

Para a Polícia Civil, um dos pontos mais graves do caso é que tudo aconteceu diante do filho do casal, de três anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo o depoimento da mãe, o menino chorava e pedia ao pai que parasse.

No depoimento, a mulher descreveu um relacionamento marcado por controle e violência psicológica. Segundo ela, o companheiro restringia o contato dela com amigos e vizinhos, monitorava seus deslocamentos por chamadas de vídeo e a impedia de trabalhar, de frequentar alguns lugares e até de buscar atendimento médico sem autorização dele.

A violência não era nova. A vítima relatou uma agressão em dezembro de 2023, quando levou socos que feriram seu rosto. Na época, não registrou ocorrência, por medo de represálias.

Desde 2021, a violência psicológica contra a mulher é crime no Brasil. A Lei 14.188/2021 incluiu no Código Penal a conduta de causar dano emocional à mulher por meio de ameaça, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante ou limitação do direito de ir e vir, entre outras. A pena é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Dois casos no mesmo dia

Na tarde do mesmo feriado, Tatimara Pereira da Silva foi morta a facadas dentro de casa, na Vila Tesouro. O companheiro dela, de 49 anos, foi preso em flagrante como suspeito, e a prisão foi convertida em preventiva na terça-feira, 13 de outubro. Ela deixa duas filhas, de 16 e 11 anos.

Como pedir ajuda

Mulheres em situação de violência, ou pessoas que presenciam agressões, podem pedir ajuda pelos seguintes canais:

Central de Atendimento à Mulher: 180 (ligação gratuita, 24 horas, também para denúncias anônimas)Polícia Militar: 190, em situação de emergênciaDelegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São José dos Campos: Av. Comendador Vicente de Paulo Penido, 234 – Parque Res. Aquarius, São José dos CamposMedidas protetivas: podem ser pedidas na delegacia, no registro do boletim de ocorrência, com base na Lei Maria da PenhaDelegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo, para registro de boletim de ocorrência pela internet

Foto de capa: Divulgação

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