O transporte por aplicativo se consolidou na rotina dos moradores do estado de São Paulo: 76% costumam usar o serviço, sendo que 26% utilizam com frequência e 50%, de vez em quando. Os dados são de pesquisa inédita da Fundação Seade, divulgada nesta sexta-feira, 9 de outubro, que integra o levantamento Seade SP Social. O Vale do Paraíba está entre as seis do estado com uso igual ou superior à média estadual.
Segundo a Fundação Seade, o aplicativo não aparece necessariamente como substituto de outras formas de locomoção. Entre os entrevistados, 67% também utilizam carro próprio e 57%, transporte público, configurando uma rotina em que diferentes meios são combinados conforme a necessidade.
“Os aplicativos se incorporaram à rotina de mobilidade dos paulistas e hoje funcionam tanto como alternativa quanto como complemento a outros meios de transporte. É possível, por exemplo, fazer parte de um percurso utilizando ônibus ou metrô e recorrer ao aplicativo em outro trecho. Essa flexibilidade ajuda a entender a presença que esse tipo de serviço conquistou nos deslocamentos cotidianos”, afirma Irineu Barreto, pesquisador da Fundação Seade.
São José dos Campos e Vale entre as regiões com maior uso
O uso de transporte por aplicativo é igual ou superior à média estadual de 76% nas Regiões Administrativas de Franca, Santos, Campinas, Região Metropolitana de São Paulo, Ribeirão Preto e São José dos Campos, segundo a Fundação Seade. Nas regiões de maior utilização, o percentual se aproxima de 80%.
Na outra ponta, os menores índices aparecem nas Regiões Administrativas de Registro, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília e Itapeva. Ainda assim, mesmo em Itapeva — a região com menor uso — 60% dos moradores recorrem aos aplicativos.
De acordo com a Fundação Seade, as diferenças entre regiões provavelmente refletem uma combinação de fatores: porte populacional e extensão territorial dos municípios, padrão de deslocamento dos moradores, qualidade e oferta de transporte público e a própria disponibilidade do serviço. Regiões com centros urbanos médios e grandes, economicamente mais dinâmicos e com maior intensidade de deslocamentos cotidianos, tendem a apresentar maiores proporções de utilização.
A pesquisa também identificou tendência de aumento do uso conforme cresce a população do município — mas com relato significativo de uso mesmo em cidades com até 20 mil habitantes, o que sinaliza que o serviço deixou de ser restrito à capital e às grandes metrópoles.
Quem mais usa o transporte por aplicativo
Embora o uso seja considerável em todos os grupos, o costume de recorrer aos aplicativos é maior entre mulheres (80%), jovens de até 29 anos (79%), pessoas com formação superior (80%) e integrantes de famílias com rendimento superior a dez salários mínimos (82%), aponta o estudo.
Para a Fundação Seade, esse padrão sugere que, assim como outras atividades realizadas online — transações bancárias, compras por aplicativos e acesso a serviços digitais —, a adesão ao transporte por aplicativo é influenciada pelas condições socioeconômicas e etárias da população.
O uso vem crescendo: entre os usuários, 40% afirmam ter ampliado a frequência das corridas e outros 13% passaram a utilizar o serviço nos últimos 12 meses.
Entre os 24% dos paulistas que não costumam usar aplicativos, 51% alegam não ter necessidade do serviço e 17% apontam o preço elevado. Essa barreira financeira é mais presente entre as famílias de menor renda: atinge 30% dos não usuários com rendimento familiar de até um salário mínimo.
Segurança aparece entre os motivos
Para 58% dos entrevistados, o transporte por aplicativo ajuda a evitar situações de risco e traz mais segurança — percentual que chega a 69% entre os usuários frequentes. Homens e mulheres apresentam percepção semelhante sobre esse benefício.
Ao mesmo tempo, entre os que não utilizam aplicativos, 9% apontam a insegurança como motivo — proporção que sobe para 15% entre as mulheres. Para a Fundação Seade, o dado indica que o fator segurança pode tanto favorecer a escolha pelo serviço quanto representar uma barreira à sua utilização.
Corridas curtas e baratas predominam
Para 77% dos moradores do estado, o serviço ajuda quando o transporte público demora ou é difícil de utilizar. Quanto ao destino, quase metade dos usuários (47%) recorre aos aplicativos para chegar a lugares próximos, enquanto 19% os utilizam para locais distantes.
O custo acompanha esse padrão: 78% das corridas custam até R$ 30, sendo 33% até R$ 15 e 45% entre R$ 16 e R$ 30.
A Fundação Seade pondera, no entanto, que o valor da corrida não corresponde necessariamente à distância da viagem — um deslocamento curto em horário de alta demanda pode custar mais do que uma viagem longa em condições favoráveis, já que o preço é influenciado pela dinâmica de oferta e demanda.
Entre famílias com renda superior a dez salários mínimos, observa-se menor participação de corridas de até R$ 15 e maior concentração em viagens entre R$ 31 e R$ 50. Segundo o estudo, esse padrão sugere que pessoas de maiores rendimentos tendem a usar o aplicativo para viagens completas, e não em alternância entre modais.
Nos deslocamentos para lugares distantes, são justamente os usuários mais jovens (27%), com menor escolaridade (23%) e menor rendimento familiar (26%) que apresentam as maiores proporções de uso.
Mobilidade multimodal: como os paulistas se locomovem
Além do transporte por aplicativo (76%), a pesquisa mapeou o costume de usar outros meios: carro próprio (67%), transporte público (57%), táxi (33%) e motocicleta (30%).
O uso de carro próprio é mais frequente entre homens (70%) do que mulheres (65%), entre pessoas com ensino superior (75%) em comparação às que estudaram até o fundamental (54%), e entre famílias com rendimentos acima de dez salários mínimos (86%) em relação às com até um salário mínimo (45%).
O transporte público apresenta padrão inverso: é mais referido por mulheres (63%) do que homens (51%), por pessoas que estudaram até o fundamental (65%) em comparação às com ensino superior (49%), e por famílias com rendimento de até um salário mínimo (74%) em relação às com mais de dez salários mínimos (26%).
A Fundação Seade destaca que, embora o transporte público tenha menor utilização total (57%) que os aplicativos, a utilização frequente é elevada (37%), indicando que o transporte coletivo continua desempenhando papel fundamental nos deslocamentos.
O táxi, usado por 33%, é mais frequente entre pessoas de 60 anos ou mais (37%) do que entre jovens de até 29 anos (28%). Já a motocicleta apresenta padrão inverso: 35% entre os de até 29 anos, contra 20% entre os de 60 anos ou mais.
O levantamento faz parte da pesquisa Seade SP Social e ouviu 8.189 moradores de 18 anos ou mais do estado de São Paulo, entre maio e junho de 2026.
Foto de capa: Divulgação
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