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Eleições 2026: Juliana Fraga defende mais representatividade do Vale na Assembleia e foca em saúde, segurança e transporte

A vereadora Juliana Fraga é candidata a deputada estadual pela Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB) nas Eleições de 2026 com a proposta de ampliar a representatividade do Vale do Paraíba na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Em entrevista ao Diário de São José, a candidata, que está em seu quarto mandato como vereadora em São José dos Campos, afirmou que a região carece de vozes que disputem recursos em seu favor e apontou saúde, segurança, educação e transporte como prioridades.

Quarto mandato e a bandeira da representatividade regional

Professora das redes municipal e estadual de ensino, Juliana Fraga apresenta a candidatura como uma extensão de sua atuação na Câmara Municipal. Para ela, a região metropolitana do Vale do Paraíba — que reúne cidades do vale, do litoral e da serra — sofre com a falta de representantes que disputem recursos e melhorias na Alesp, e é essa lacuna que se propõe a ocupar.

A candidata reconhece as diferenças internas da região, com características distintas entre as cidades do vale, do litoral e da serra, e defende que essas particularidades sejam respeitadas. Entre as áreas em que enxerga potencial de melhoria, cita o transporte intermunicipal, a estruturação do turismo e a ampliação da atividade industrial, favorecida pela localização às margens da Rodovia Presidente Dutra.

Saúde e a cobrança pela lista de espera

No campo da saúde, Juliana Fraga reconhece a importância do repasse de recursos aos hospitais de São José dos Campos que atendem pacientes de toda a região, como Santa Casa, Pio XI, Hospital Municipal e Hospital Regional. Mas o ponto que apresenta como diferencial de sua atuação é a cobrança pelo cumprimento da fila de espera.

A candidata afirma existir legislação estadual sobre o tema que, em sua avaliação, não é respeitada, e defende mais transparência para que o paciente saiba sua posição na fila por cirurgias e exames. Segundo ela, conhecer a classificação reduz a ansiedade de quem aguarda atendimento. Ela propõe ainda ampliar para cidades menores serviços de atendimento estadual hoje inexistentes em parte da região, articulando saúde e transporte de forma integrada, já que a ausência desses serviços obriga moradores a se deslocarem entre municípios.

Segurança: o contraste entre São José e o restante do Vale

Ao tratar de segurança pública, Juliana Fraga reconhece que São José dos Campos apresenta bons indicadores, mas pondera que os crimes de violência contra a mulher, a criança e o adolescente aumentaram no município. Para ela, esse é um gargalo que precisa de atenção específica.

Em relação às demais cidades da região, a candidata avalia que não é aceitável que um polo estruturado como São José seja seguro enquanto municípios vizinhos convivem com índices crescentes de homicídio. Ela defende um programa estadual específico para as cidades com alta da violência, com ampliação de policiamento onde for possível e do número de câmeras de monitoramento onde não for. Também propõe políticas de prevenção e acolhimento, articuladas com a educação, para o enfrentamento da violência de gênero e contra crianças e adolescentes.

Infraestrutura e a defesa do trem regional

Com o Vale do Paraíba na casa dos 3 milhões de habitantes, Juliana Fraga defende investimentos em infraestrutura viária, incluindo a ampliação de rodovias federais e estaduais, mas concentra sua aposta na mobilidade sobre trilhos. Ela relata que a reivindicação por uma marginal à Dutra é bandeira sua desde o primeiro mandato, dado o uso da rodovia como avenida em distritos como Eugênio de Melo.

A proposta que apresenta com mais entusiasmo é a de um trem regional que atenda as cidades do Vale, aproveitando a linha férrea existente. Para a candidata, um sistema desse tipo ligaria pontos distantes da região com rapidez, reduziria o volume de veículos na Dutra e ofereceria uma alternativa mais econômica à população.

Posições sobre temas da Assembleia

No bate-bola realizado pelo Diário de São José, Juliana Fraga apresentou posições sobre temas em pauta na Alesp.

Sobre novas concessões de linhas de trem e metrô à iniciativa privada, adotou postura cautelosa. Afirmou que concessões, terceirizações e privatizações exigem fiscalização rigorosa, já que a iniciativa privada atua por lucro, e disse ter reservas diante de casos em que, segundo ela, o serviço prometido não se concretizou na prática. Não descartou apoiar concessões, desde que acompanhadas de fiscalização efetiva.

Sobre as escolas cívico-militares em São Paulo, declarou-se completamente contrária. Argumentou que o modelo não melhora a educação e que o caminho é a valorização dos professores. Nesse ponto, sustentou que a queda do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) reflete a desvalorização dos docentes. Os dados do Ideb 2023, divulgados pelo Inep, confirmam a queda de posição: São Paulo recuou no ranking nacional dos anos finais do ensino fundamental da rede estadual, movimento que a candidata associa às políticas de gestão do governo estadual.

Sobre a ampliação das câmeras corporais da Polícia Militar, foi favorável. Avaliou que o equipamento protege tanto o cidadão na abordagem quanto o próprio policial, que pode ser acusado injustamente, e que as imagens auxiliam em julgamentos.

Sobre a construção e gestão de infraestrutura escolar por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs), ponderou que o prazo de 25 anos é longo demais para uma primeira avaliação. Disse não ser contrária a parcerias em princípio, mas defendeu prazos menores e fiscalização independente, feita por quem utiliza o serviço e não por parceiros do contrato.

Sobre a ampliação do prazo de captação de água da bacia do Paraíba do Sul para abastecer a capital, que se encerra em 31 de dezembro de 2026, declarou-se contra. Citou a crise de abastecimento recente na cidade e a crise climática para justificar o receio de que a retirada adicional de água provoque desabastecimento na própria região.

Sobre a Sabesp, posicionou-se pela reestatização. Argumentou que a água é um bem essencial e não deveria estar sob domínio de empresa privada, defendendo o controle público com fiscalização. Estendeu o raciocínio a áreas verdes e parques, cuja concessão critica.

Quem é Juliana Fraga

Juliana Fraga é professora das redes municipal e estadual de ensino e está em seu quarto mandato como vereadora em São José dos Campos, onde atua como oposição. Disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pela Federação Brasil da Esperança.

Em suas considerações finais, afirmou que o foco de um eventual mandato seria dar voz às pessoas da região e defendeu que, ao fim de quatro anos, o eleitor possa reconhecer que ela trouxe recursos e trabalhou pela melhoria de vida na região metropolitana do Vale do Paraíba.

As eleições acontecem em 4 de outubro de 2026. O Diário de São José entrevista os candidatos a deputado federal e estadual que têm relação com São José dos Campos para apresentar ao eleitor suas trajetórias, propostas e posições sobre temas municipais, regionais e nacionais.

Foto de capa: Divulgação/CMSJC

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